O Ouvidor e a liderança regenerativa

No universo corporativo falar de válvulas de calibração do sistema interno de fluxos, processos de trabalho e do próprio agir comunicacional dos atores que o compõem é discorrer, necessariamente, sobre a Ouvidoria e as suas multidimensionalidades, analisando sua modelagem estrutural que valida a ideia de poder distribuído, a partir do momento em que tonifica a conexão e a corresponsabilidade decisória entre a Organização e seus públicos, refutando a matiz engessada de gestão, favorecendo no plano interno a criação de sentido para o funcionário em relação à tarefa que executa diariamente e estimulando a construção progressiva de zonas de autonomia que ampliam as potencialidades dos servidores e colaboradores, bem como da Instituição como um todo.

Em tempos de pandemia em que a busca pela reinvenção das Organizações públicas e privadas passou a ser o novo campo de batalha é fundamental refletir sobre o fenômeno da liderança regenerativa e a partir desse paradigma proposto por John Hardman, expoente e renomado especialistas em organizações regenerativas e autor de importantes obras1 sobre o tema, redesenhar a arquitetura e a gestão organizacionais, a partir de um processo de liderança comprometido com a sustentabilidade.

Nesse aspecto, cabe destacar que o movimento regenerativo ora em destaque não está circunscrito apenas à ação de restaurar os danos socioambientais causados pela atividade humana, mas diz respeito, principalmente, a novas formas de compreensão, consciência (crenças, valores, disposições) e ações, capazes de oxigenar e calibrar estruturas organizacionais cada vez mais demandadas para estarem em conformidade com regras de compliance e accountability, cobrança essa que mal gerenciada pode levar à rigidez, à ausência de flexibilidade e à redução do crescimento e, consequentemente, da influência da Organização junto ao segmento do qual faz parte.

Rogério Silva2 afirma que Hardman, com fulcro nos quatro quadrantes da Teoria Integral desenvolvida pelo psicólogo Ken Wilbe, infere que “o desenvolvimento daqueles que empreendem e lideram organizações regenerativas passa pela articulação de diferentes elementos: (a) o mundo individual subjetivo, que compreende propósito, visão de mundo, valores, ética e criatividade; (b) os comportamento individuais abrangendo competências relacionais e vinculares, como escuta, empatia, argumentação, etc.; (c) o mundo intersubjetivo, que engloba vida em grupo, propósito coletivo, cultura, lugares sociais, etc.; (d) as ações sociais coletivas, dos sistemas organizacionais, das normas, das formas de governo, etc”.

De acordo Silva, após estabelecidos os quadrantes acima referidos, emergem ainda outros três elementos que compõem o conceito de liderança regenerativa: “(1) o campo de emergência da consciência e empoderamento, que Hardman chama primeira camada do solo necessário ao cultivo da criatividade, coragem e compromisso com propósitos coletivos dentro das organizações; (2) a ideia de evolução permanente, representada pelo símbolo do infinito a mostrar que a formação de uma pessoa dura a vida toda; (3) os sistemas circulares nas organizações regenerativas, nas quais o poder é fluído e a autoridade recai sobre aqueles com a expertise mais adequada à tarefa. O esquema a seguir procura ilustrar a articulação proposta pelo autor”:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima